Tem coisas que fazem você vomitar o coração na sarjeta.
Por para fora a ansiedade que subiu até a cabeça. Para fora aquilo que luta como o rabo de um Dourado fisgado, que se debate em desespero nos cantos da boca, sabendo que cairá ali, vulnerável, naquele espaço imundo e reservado no asfalto.
Pequenos traços de uma indigestão que começa pelo coro de telefones e celulares cantando na madrugada de uma terça-feira, despertando com incontinências o desavisado para participar de uma declaração de amor bêbada e às avessas. Sinais sutis, que se revelam no tremor das pernas de quem sobe nos comboios suados de um Cometa, saindo do Tiête em direção as curvas lascivas da Anhanguera, na incerteza da infinita esperança de que se perderá nas carícias das circunferências, nas fendas da nudez do corpo da companheira. Sintomas típicos de um intestino preso pelas tripas emaranhadas no miocárdio taquicárdico. Ou de amor alucinado. Ou de apego indesejado. Ou de dependência química de mais um junkie transtornado. Inflamações nas artérias engorduradas do coração de um viciado apaixonado.
É isso, eu digo. E mesmo que a chuva chegue antes de você, com a vaga tristeza de quem achava saber escorregar pelo para-brisa rachado, saiba que sempre haverá um edredom quentinho, um par de pernas e um cafune a caminho. Sempre um abraço para limpar você de seu desespero e cinismo. Para dizer que está tudo bem, quando, na verdade, está tudo fudido. Para mentir até você rir da ingenuidade desse menino. Seja ele, ou o próximo que aparecer no seu destino.
E aos companheiros de parquinhos, das brincadeiras de gangorra e balanços, dos sobes e desces da vida, eu digo: espero que tenham aprendido com os joelhos arrebentados e os olhos que não choram, carregados de orgulhinho. Deixem de ser meninos. Não enrolem o coração das donzelas modernas, deem colo, deem mimos, escondam barras de chocolate em seus travesseiros quando estiverem indo. Sejam machos sem machismos. Entendam, que apesar dos modernismos, não há biscate que viva sem carinho. Nem santa sem um pinto amigo. Plantem sabendo o que será colhido e não reclamem depois que estão inseguros ou sozinhos. E se lembrem: mais belo que ver uma mulher se despindo, é vê-la se vestir sorrindo na manhã em que está partindo.
Afinal de contas, tem várias coisas que fazem você vomitar o coração na sarjeta no final do dia, não é? Mas o engraçado é que de todas elas, amar é a única que dá a essa metáfora algum sentido.
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Não o meu melhor texto, mas sincero ;)
Para as reclamações das amigas sobre o macho moderno e suas inseguranças; para as paixonites que começam nos finais-de-semana e terminam em horas ou meses; para os desesperados que se encontram e desencontram nas Ruas Augustas do mundo, e, especialmente para as queridas na depressão de suas TPMs.
É isso. Muito amor pra vocês.

