"Eu quero que você me ame. Eu quero que você me ame porque não estamos mortos. Venha aqui... Tire isso. Eu quero ver você. Eu quero ver você e sentir o seu gosto e cheirar você, apenas porque eu posso. O que é isso, Dan? O que é esse cheiro em você?"
"Nostalgia."
- Alan Moore, “Watchmen” - “A Stronger Loving World”
É vago, Stella, vago demais. Vago o espaço em que dorme tranquilo o seu homicida, e o meu, que padece ao pensar em ser a sua próxima vítima. É ali, no espaço entre os lençóis da cama, que os braços sem boias e abraços, afundam sem perceber o abismo em que somos arrastados.
Eu sei do que falo Stella. Sei de tudo que vaga, e que recosta a cabeça em algum ombro que se faz de costa lisonjeira. De todo o lixo que flutua e encalha na praia de corações distantes, apenas para vagar e morrer longe de si mesmo. Sim, vagar Stella, e voltar aos escudeiros, os solitários e solteiros, transvestidos em suas armaduras de Joana d'Arc, que se fantasiam de cavaleiros, merecedores de suas camas que só têm espaço para eles e os seus egos. Não há quem se comova com sua carências, a não ser eles mesmos. Não há quem suporte seus medos, tão evidentes em seu falso desapego. Essas pessoas patéticas que se apaixonam por apenas um beijo. Essas prostitutas de afetos e sentimentos, que parecem sentir tesão no hálito de nossa indiferença e desprezo.
Mas relaxe Stella. Sei que ainda nem eu e você chegamos nesse momento. E sei também que está, na realidade, cansada de vagar nos espaços vagos por algum dinheiro. De ser a puta do destino e seus movimentos, e eu de observar, sem poder fazer nada, os seus lamentos. Pense que é apenas a sua TPM Stella, a TPM. As dores nos seios e nos braços, a bunda inchada, as espinhas implodidas no desânimo da sua face. Os chocolates amargos que derretem e sangram entre os seus dedos, a crueldade de fêmea em seus pensamentos. O tarô da lua e a maré de seus desafetos. Eu entendo. Tudo é silencioso, e se faz por dentro. O resto é o barulho que recobre a verdade que se esconde nesse jogo de tabuleiro. Sim, a verdade de todo amor Stella, amor esse que vaga ligeiro, e que sempre no final se torna vago e passageiro. E é por isso que na alameda das memórias, os parquinhos de uma paixão insensata, se tornam em jardins nos cemitérios. E não há pele que perca tempo velando pelo falecido companheiro. Nem prantos que durem mais que um cigarro aceso. Apenas permanecem aqueles instantes de cinema, filme-pipoca, de uma pequena tragédia que se torna em comédia romântica com o tempo:
Scene 374
Scenario: Bedroom, late at night, dark, with a couple after having sex.
“I'm kind of tired”, she says, “aren't you?”
“Yeah, me too”, he reply, with the heaviness of his eyes.
“What is that sound?”, he suddenly wakes up.
“That? Oh, it's just the battery of the celular fading”, she reply, smiling in the dark.
“Oh...”, he says relieved, “...for I minute, in my sleep, I thought I heard you fall and scream”
“Relax darling, I'm fine... I know you'll catch me if I slip”.
He holds her, and the scene fades, leaving the couple with no certainty of that, but assured that their love can keep them, for that night, without falling away in their dreams.
E é assim que se edita a vida, sem mais nem menos, com apenas os melhores trechos daqueles momentos. Daqueles em que os lábios, seguido de um estalo nos dentes, deram um intervalo. Ou outros, como quando você puxou um cigarro, e eu, desavisado, passei a mão nos bolsos, a procura de algum isqueiro que fosse cinematográfico, e que pudesse incendiar o seu tabaco com todo o meu tesão alcoolizado. Desse jeito, encravados na memória do passado de algum presente passageiro.
É assim que a vida têm de ser, uma colagem apenas dos bons tempos.
E o resto, você me pergunta? Todos os traumas e os desesperos? As mortes dos amigos e companheiros? Os acidentes das palavras ditas sem pensamento?
E o resto, você me pergunta? Todos os traumas e os desesperos? As mortes dos amigos e companheiros? Os acidentes das palavras ditas sem pensamento?
Eu te respondo que, categoricamente, espero que se fodam.
Pois de merda nessa vida, eu e você, Stella, acho que ambos aqui, já estamos tão cheios.
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Eu estava num desses momentos que o cérebro falha e não consegue mais escrever, quando puxei a Graphic Novel do Alan Moore, que estava descansando ao meu lado. Abri exatamente, sem querer na página do trecho citado, e achei uma coincidência, não só por conta do texto que eu estava compondo, mas também de outras coisas da vida, que não é evidente assim para outras pessoas. Bate exatamente com outros temas e coisas que estão relacionados nas entrelinhas desse pequeno trabalho. A imagem desse texto é do quadro logo depois que a Laurie têm esse diálogo com o Daniel (outra coincidência, que só seria melhor se fosse com dois L's o nome do personagem, como o meu, ha ;D), e eles resolvem trepar depois dela ter visto metade de Nova York morta (ok, essa não seria uma coincidência muito legal). Boa maneira de celebrar a vida, indeed. Eu aprovo, espero que vocês também.
É isso, comentem, xinguem, chorem ou mandem abraços e flores ai embaixo.
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Eu estava num desses momentos que o cérebro falha e não consegue mais escrever, quando puxei a Graphic Novel do Alan Moore, que estava descansando ao meu lado. Abri exatamente, sem querer na página do trecho citado, e achei uma coincidência, não só por conta do texto que eu estava compondo, mas também de outras coisas da vida, que não é evidente assim para outras pessoas. Bate exatamente com outros temas e coisas que estão relacionados nas entrelinhas desse pequeno trabalho. A imagem desse texto é do quadro logo depois que a Laurie têm esse diálogo com o Daniel (outra coincidência, que só seria melhor se fosse com dois L's o nome do personagem, como o meu, ha ;D), e eles resolvem trepar depois dela ter visto metade de Nova York morta (ok, essa não seria uma coincidência muito legal). Boa maneira de celebrar a vida, indeed. Eu aprovo, espero que vocês também.
É isso, comentem, xinguem, chorem ou mandem abraços e flores ai embaixo.


Sempre cativantes, estes simulacrozinhos de vida que você escreve. Esse tinha um tipo de sentimento esperançoso estranho, o mais destoante do resto até agora, isso deixa o blog bem mais interessante. Do caralho.
ResponderExcluirCelebremos a vida no que tem de ser vivida, para que a sala de edição se concentre pelo menos em alguns momentos nas belas cenas e distraidamente deixem as outras escaparem em direção à lixeira.
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